segunda-feira, 29 de junho de 2009

Tenho febre




Tenho febre
E ânsia que transcende
Cede ao meu corpo o insólito
Meus vômitos
Descrevem agonia

Meu relato é sombrio
E os corajosos temem
A ouvi-la

Corro, fujo sem esperança
De mudança
A temperança não existe
No prazer impudico da morte

Tenho febre
E esta se intensifica
A cada segundo
Meus olhos estão sensíveis
A luz

Apupado pelo desvairo
Dos meus batimentos cardíacos
Chego à única certeza de que. . .

Tenho febre
E esta me congela
Cessa a corrida dos glóbulos
Dilata e fixa minha pupila
E seca meus vasos sanguíneos
Tinha febre

Cássio de Béggie

2 comentários:

Marcella disse...

Agonizanteeee, um desfecho próximo precedido de grande perturbação.
Me deu medo!

Anônimo disse...

Rumando para a convalescencia do narciso, a febre revela o paraíso fugidio dos doentes, nós doentes negamos a vaidade moral do homem . . .